terça-feira, 29 de novembro de 2011

Onde tudo começou



   Como o tempo passa rápido. Lembro-me bem de como tudo começou. Estávamos finalizando o multiathlon de 2010, aquela energia boa, todos confraternizando, quando o assunto surgiu na roda: Duathlon Contra Relógio da FEF. Evento idealizado pelo Orival, professor, atleta (onze Ironmans nas costas), apoiador de tod e qualquer idéia voltada ao esporte, amigo. "Como não participar do evento?". Seria uma falta de consideração. Tinhamos que marcar presença. Seriam 300 metros de natação, 2300 metros de corrida e um problema: 25 anos separavam minha última vivência em uma piscina. Seria capaz de completar os 300 metros?

     Procurei o João Fortes, parceiro das antigas no curso de Educação Física e técnico de triathlon, e pedi a ele se poderia frequentar sua turma nas três semanas que antecediam o evento. Ele, entendendo a situação, me autorizou e ainda se prontificou a me auxiliar. "Pra começar, aqueça 400 metros". Acho que não tinha sido muito claro. Recoloquei a situação, deixando claro que o que ele tinha como aquecimento ultrapassava a metragem que tinha como meta. Fechamos então séries de 25 metros, com descanso entre elas. Não cheguei , somando, nem perto dos 400. A coisa estava feia. Seria eu capaz de realizar a prova?

     Já motivado com a idéia, pedi ao João que montasse uma planilha com as três modalidades. Começava ali minha aventura pelo mundo do triathlon. Treino todo dia, com o foco na natação, vivenciava toda aquela miscelânia de modalidades. Tudo novo! Até a corrida, por muito tempo minha atividade número um, combinada, parecia responder de forma diferente. Estava encantado, comprometido, dando o meu máximo. "Mas e os 300 metros, sairíam?".

     Faltando uma semana para o duathlon e com as inscrições se encerrando, resolvi que era hora do tudo ou nada. Quarta-feira, quase 19 horas, fui para a piscina, me troquei, entrei na água, respirei fundo e fui. Só tinha uma chance. Rodei, tentando pensar em tudo que haviam me passado, parte técnica, respiração, tudo. Sem perder a conta, me mantive, constante, indo e vindo, seis vezes, seis piscinas, 300 metros. Com quase sete minutos obtive minha resposta: conseguiria cumrpir o desafio. Corri para secretaria e, como que por honra ao mérito, fui agraciado com a última vaga do evento. Quase!

     Por via das dúvidas, na hora da inscrição, chutei alto e coloquei meu tempo em 9 minutos. " E se eu precisar?". Vai saber... Isso me colocou como segundo a largar, atrás apenas de uma aluna da graduação (também pessimista!). Cinquenta inscritos, ordenados de forma decrescente em relação ao tempo estimado para a natação. Hora da diversão!

     Chegamos no sábado às 17 horas, todos retirando seus kits, sendo numerados pela organização, montando suas áreas de transição e, por que não, confraternizando. Muitos alunos, conhecidos do mundo esportivo, estavam ali sem muito peso, com o intuito apenas de fechar o ano com uma grande festa. Alguns aqueciam na piscina, outros se continham com um aquecimento "à seco". Uma rápida reunião para explicar o funcionamento da prova e pronto. Primeiro atleta na água, início de prova.

     Sessenta segundos. Esse era o tempo que separaria os atletas na largada. A partir daí, seria tirar na braçada e na pernada.Depois, contabilizado o tempo total, anunciariam os ganhadores. Fiz uma natação conservadora. Nada confiante, alternei o craw com peito em um dado momento, o que me custou alguns segundos. Desisti da idéia, retomei o nado livre e concluí a natação. Saí meio atordoado, corri a zona de transição, coloquei meu tênis e parti. Agora sim começaria a brincadeira para mim.

     Sabia que minha natação tinha sido ruim. Não havia feito um tempo muito bom, mesmo sendo beeeem menos que os 9 minutos propostos! Teria que voar baixo na corrida se quisesse fazer um tempo significativo. E voei. Apertei o ritmo de uma forma descomunal. Volta a volta, sentia que trabalhava no limite, buscando técnica à pressa, pegava as pulseiras das voltas e aguardava a tão sonhada frase: "última volta". E ela veio. Puxei como se fossem meus últimos 400 metros em vida. Fechei com muita dificuldade de respirar. A essa altura não havia técnica, só força. De vontade! Subi em direção ao pórtico de chegada e fechei a prova. Era o fim!

     Recebi com colar havaiano e água de côco, uma banda tocando ao vivo o bom e velho rock n' roll, vi como tempo final 15 minutos e 20 segundos. Descontando o tempo da natação (6'28") e o da transição, vi que tinha corrido com um pace de sub 4 minutos por quilômetro. Aí sim!!! Agora era acompanhar os outros 48 atletas e aproveitar a festa.

     Ao final do evento, na cerimônia de premiação, vi que meu tempo de corrida tinha sido o mesmo dos vencedores (por sinal, atletas de ponta do triathlon) Willian Barbosa e Donga. Acabei em décimo quarto geral e com uma pilha tão grande, mas tão grande que passei os quatro meses seguintes à procura de uma bike para treinar sério. O resto da história já sabem: comprei a bike, criei o blog, me inscrevi no Iron de 2012, comecei a treinar com o Marcinho e, doze meses depois, continuo na mesma pegada daquele 27 de novembro. Final de semana vamos para o terceiro duathlon contra relógio da FEF. Desta vez nadando um pouco melhor, mas recuperando ainda o ombro luxado. Hora de rever os amigos, fazer uma competição saudável e, por que não, antecipar a comemoração de  meu aniversário! Aí sim (de novo)!!! E que venha sabadão!!!

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